Vem de uma família de classe média da Rússia antiga, seu pai era um pequeno nobre. Miranda era uma criança que tinha tudo do melhor, mesmo que isso resultasse em alguns "apertos" da família para educá-la.
Uma menina meiga, doce e honrada.
Enquanto voltava de um passeio, foi abordada por um homem bonito e muito simpático que comprou-a com mimos e chocolates.
Logo, aquela doce criança estava sendo embalada com um beijo em seu pescoço, aquilo a transtornava mas ela não conseguia escapar dos braços daquele homem tão gentil e simpático, seus cabelos longos e castanhos, deslizando, cheirosos, pela pequena face da menina. A força já lhe faltava, mas ela tinha ímpeto de lutar contra aquele predador, “mas, ele tem um beijo tão gostoso”. Logo, toda a vida da pequena russa se esvaiu.
Depois de muitos anos, Miranda já se considerava auto-suficiente de seu pai, já aprendera todo o básico e ele mesmo a aconselhou que buscasse pelo resto de seu aprendizado: “Apenas vivendo, minha querida, você encontrará o resto da sabedoria necessária para alcançar sua eternidade, meu amor. Mas, lembre-se, eu sempre estarei aqui para garantir seu aconchego quando precisar”.
Miranda saiu pela Rússia aprendendo com outros vampiros, logo que a Camarilla foi criada ela entrou para aprender mais, acumulou conhecimento, poderes, cresceu, mas não no tamanho.
Na fronteira com a Finlândia, viu terras novas, grandes montanhas geladas, pessoas estranhas, vampiros diferentes. Resolveu aprender com aquelas novas criaturas, encontrou um homem que foi gentil com ela e carregou-a com ele. Mas, quando ela resolveu partir, eles brigaram e o homem levou a melhor, a pequena estava em torpor e ele com todo o controle de tudo.
“Mas eu me lembrava daquela mulher bonita que chegou para salvar-me, e de como minhas esperanças se esvaíram quando ela deu os sinais de que estava perdendo a luta, mesmo com ajuda daquele forte homem, o ‘cientista’ parecia invencível. Até que aquele homem grande e de beleza incontestável surgiu do nada e salvou a mulher.
Eles estavam saindo e, pareciam não me ver, foi quando a mulher olhou em volta uma última vez e me viu caída em uma pequena cama. Correu em minha direção e me levou com ela, os escutei conversando, aquele lindo homem estava conhecendo-a naquele momento também, mas o forte já parecia estar com ela há muito tempo.
Foi ela quem me acordou, parecia uma mãe, às vezes parecia uma criança quando cuidava de mim. Eu tentei explicar de inúmeras formas que eu não era mais uma criança, mas ela insistia em dizer com eu era ‘tão pequenina e tão linda’. O lindo homem se chamava Ahimanus, parecia bom e calmo conosco, mas por dentro ele era diferente, eu sabia. Anette era mulher mais estranha que já conheci, de uma beleza surreal e boba ao mesmo tempo, se intitulava dona daquelas terras e as comandava com sabedoria e tranqüilidade.
Por alguns anos vivi com eles, Anette e Ahimanus desconfiavam um do outro, mas por quanto tempo aquilo duraria? Eles estavam predestinados a ficar juntos, mas não davam o ‘braço a torcer’. Quando me recuperei e aprendi o suficiente com eles, parti em minha nova jornada, mas eu tinha certeza de que se havia um lugar para eu voltar, o lugar era ao lado dos dois.
Mesmo de longe, eu podia saber dos dois, fiquei sabendo o dia em que o alemão Henrique Von Shiller entrou nas terras dela pedindo para ser seu filho, e como ela o recebeu, criou e cuidou dele, junto com o amado Ahimanus. Fiquei sabendo quando Anette permitiu que seu amado retornasse à sua terra e de sua cruzada até o Egito para resgatá-lo. Eu cuidei de Henrique, mas Anette jamais soube, fiz no escuro.
Pensei em ir ajudá-la, mas a criança dela precisava mais de mim, ela poderia se virar com as pessoas que se dignaram a ajudá-la por lá.
Muitos anos depois, eu soube que Anette havia ido descansar, seu senhor havia tomado suas terras e expulsado seu neto de lá. O mundo mudou muito em quinhentos anos e eu preferi não dormir, quis ver com meus próprios olhos as mudanças desse pequeno grande globo que chamam carinhosamente de Terra. Senti muita falta dela... perdi a conta de quantas noites chorei pelo amor de minha querida ‘mãe’ e meu querido ‘pai’.
Fiquei estudando nos anos em que eles estavam dormindo. E, quando acordaram, quase não me segurei, mas meu mentor avisou-me sobre os fatos conturbados que estavam acontecendo no despertar de meus amados. Tive muito medo de papai morrer quando descobri que ele estava sendo mantido preso, mas não podia ir salvá-lo sozinha. Minha mãe estava correndo, não sabia nem que perdera tudo, ma quando teve oportunidade foi buscar meu pai, e eles quase morreram.
Mas, um dia, sofri um baque sem tamanho quando os senti morrendo, controlei minha besta interior com muita dificuldade. E, hoje, estou indo encontrar meu irmão e tentar saber quem foi o miserável que destruiu meus pais.”